segunda-feira, 16 de março de 2015

Bonito de ver!

Bonito de ver as manifestações. A rua ainda é de toda a gente.

Apesar de ladrarmos que não é um movimento de classe média ou de elite, essa clareza não está somente de um lado (esquerda política).

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1603250-manifestacoes-pelo-pais-ganham-destaque-na-imprensa-internacional.shtml

O interessante é ver um movimento para o impeachment, mesmo quando as lideranças políticas da oposição, afirmam que essa não é saída. Nem pararam para ouvir o guru FHC que declara a necessidade de acirramento da luta de classes. Não dá mais para o Governo cooptar os coletivos públicos.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/nao-adianta-tirar-dilma-diz-fhc-1678.html

Mas, contudo, mesmo se tivessem parado, não conseguiriam entender a manobra de deixar isso claro somente na semana da manifestação. Afinal, toda a mobilização foi feita sob a bandeira do impeachment. Já que não era mais possível desarticular a mobilização, foi a hora certa para deixar as coisas claras.

Mesmo movimento que pede a volta das forças armadas. O mesmo que não vê qualquer problema em mudança de jogo de futebol, no domingo, somente para "liberar" a transmissão. Uma manobra explícita. Como diz um amigo antropólogo "Hora de missa e de jogo, são as únicas coisas que funcionam pontualmente." 

O mesmo que adora Globo, Veja e toda a mídia de massa e acredita que elas não possuem lado e são as defensoras do olhar imparcial. E o melhor, não influenciam em nada.

http://vigilantcitizen.com/vigilantreport/mind-control-theories-and-techniques-used-by-mass-media/

E que a ideologia do medo é somente mais alguma coisa para virar piada. E que diante de tantas coisas que nos assustam, o medo difuso, encontrar um e somente um ponto para descontarmos todo o nosso medo, não existe.

https://www.youtube.com/watch?v=mxrqzNpuf94

O mesmo movimento que vai à missa, diz que acredita em Deus, mas não ouve a sua própria igreja. A mesma que viveu a luta por democracia dentro de suas próprias paredes e, por isso, entende a necessidade de fortalecer as nossas instituições. Ainda vivemos em uma democracia representativa.

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/CNBB-divulga-nota-sobre-a-realidade-atual-do-Brasil/4/33051

É o mesmo movimento que está em todo lado mas não está em lado nenhum. O problema sempre é o externo, o outro e não aquilo que se faz no dia dia, pq o problema sempre é dos outros. E, se é dos outros, não é meu. Enfim, o mesmo que pede um impeachment, sem apoio político, e acha que massa não representada é algo mais que instrumento de manobra e que FB e Watsupp derrubam um governo.

De toda a forma, foram dois dias ótimos para serem usados, conforme o olhar. Enquanto isso, os debates sobre a reforma política, marco legal da comunicação, lava-jato, Swissleaks estão onde mesmo? 

sábado, 7 de março de 2015

Dia 13

Dia 15 há a programação de uma manifestação para a derrubada do governo. Ok! todos/as que estarão lá pensam em um Brasil que é muito diferente do que a grande maioria vive. Não há qualquer razão para reprimir, oprimir, discriminar ou qualquer outra coisa. São pessoas que querem exercer o seu exercício de cidadania. Pronto!

Mas, ao mesmo tempo, dia 13 haverá um encontro com a outra camada da população. Não somente o PT, e isso tem que ficar claro, mas todos/as que acreditam em uma mudança da democracia, custe a quem custar. Se as pessoas que irão para a cadeia são do governo, aliado ou um rico qualquer, não interessa! Falamos de democracia e nada mais!

Enquanto alguns ainda acham que o Brasil é um conto dos ricos, há outros que têm a certeza que é uma história da democracia. Que ela venha a tona com toda a força! Lave a lama de onde estiver! E que a reforma política e o marco da comunicação, que nenhum governo teve a coragem de fazer, paralise a hemorragia de corrupção que deixa nossa população sem a menor condição de vida!

Rogério

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Poster para o Dia da Sociologia - Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra


O poster é um material apresentado em encontros científicos e que apresenta o resultado de pesquisas. No meu caso, é o poster da minha pesquisa de mestrado. É apresentado no Dia da Sociologia, em 26/02.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Epistemologia de onde mesmo?

Os devaneios que vivemos nesse caminhar acadêmico, muitas vezes, nos deixa um tanto cansados de nós mesmos. Cansamos de pensar constantemente, de não pensar, de ficar parado, de levantar, de se envolver e não envolver ao mesmo tempo, enfim, cansamos de estar.

Estar é difícil. Não conseguimos ser enquanto o estar é o que mais influencia as nossas ações. E, no fundo, o estar acaba por mexer com o nosso ser. Estar acadêmico não é o mesmo que ser acadêmico. Viver em um ambiente da academia, participar de debates, escrever artigo, tudo é uma parte do ser acadêmico mas, isso, ao mesmo tempo, não dá qualquer creditação para a pessoa ser acadêmica. Mas, então, afinal, o que é o ser acadêmico?

Penso, livremente, que ser acadêmico é uma forma de ver a vida. Há tantas gentes, inclusive eu, preocupadas em desenvolver seus trabalhos para publicação e divulgação. Mas, em uma mesma quantidade de pessoas,  os que não conseguem perceber a imensa contradição entre o escrever o que os outros fazem em uma visão de mundo própria, com o viver a razão das linhas escritas. Acredito que não é possível vivermos o tempo todo escorados pelo o que é escrito. Mas, também, quanto mais próximo do que se escreve, tanto mais próximo pode se estar do acadêmico.

Há uma série de pessoas que pensam estudar as comunidades que não são consideradas importantes. Ao mesmo tempo, pensam que fazendo isso, conseguem viver a militância e as práticas que existem nas comunidades. Mas é um tremendo sonho infantil ter esse pensamento. A pressão do que se vive no dia a dia, as construções que são feitas longe do olhar acadêmico e os resultados que aparecem a vista de todos são efeitos acumulados de lutas que já foram travadas ou que ainda estão em combate. Concordo, por experiência própria, que é possível conseguir captar vivências pelas experiências que se constroem em comunidade, mas nunca em períodos curtos de tempo ou em entrevistas. A tensão que existe em alguns pesquisadores em mostrar que são as pessoas que lidam com a observação participante revela, nada mais,uma tremenda insegurança em assumir que viu algo muito além do que pensava ou do reconhecimento da ignorância sobre o que se vive.

Acredito que, por isso, a militância nos assuntos acadêmicos é o grande diferencial dos estudos que podem ser produzidos na área social. A militância nos ensina a ter um sentimento bem distante da academia que é o sentido de urgência. O investigador militante é a forma de manter o descompasso entre teoria e prática menos largo. Mas, ao mesmo tempo, também afeta a forma que vemos o campo em que militamos. E isso é genial!!! É a oportunidade de assumirmos um lado de forma clara e lutar por aquilo que acreditamos.

Como toda luta, há muitas vivências que nos marcam para o resto da vida. Particularmente, na área da militância das doenças raras eu passo por um momento de reflexão muito grande. Nos últimos anos, dediquei 100% de minha força de trabalho para o desenvolvimento da temática de doenças raras no Brasil. Mudei toda a minha vida e, hoje, estou acadêmico em Coimbra. A militância, em um campo bem complexo ou com a mesma complexidade que outros que eu não conheço, hoje, deixa-me um tanto cabisbaixo. Consigo ver muitos efeitos positivos das ações que participei. Mas, ao mesmo tempo, percebo a mesquinhez de pensamento de muitas das pessoas que, até onde eu achava, lutava para um mesmo objetivo.  O pior é ver as manobras que fomos usados. É triste perceber como o acadêmico vai à militância com um olhar idealizado e o mesmo de alguns militantes de fora da academia. A militância é dura não porque todo o processo é difícil mas porque é vista como uma forma de outros conseguirem alcançar os objetivos específicos que elencam. Após o mestrado e nesta fase de estar doutorando, percebo muitas coisas que agi com o coração enquanto outros vigiavam as minhas ações com a cabeça. É duro ver, não! digo melhor, é duro sentir que fui somente uma pecinha de encaixe de uma quebra-cabeça complexo e, por enquanto, ainda não terminado. E eu vejo isso por causa da militância? Em partes. Porque enquanto eu estava no campo, tinha situações de desconforto que não me chegavam ao entendimento límpido que tenho hoje. Esse alinhamento entre a teoria e prática é uma luta constante e interminável.

Sorte para o pensamento juvenil do acadêmico que vai perceber as trilhas marcadas no campo e mais sorte, aliada a coragem, para o militante que abre o campo somente com o calor que vem do peito.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Relembrando

Organizando a agenda par ao ano começar acelerado, dei uma pausa para lembrar daquilo que penso ser o início de toda a mudança e da própria AMAVI. Segue o link para o vídeo de nossa primeira ação em Brasília.

https://www.youtube.com/watch?v=1jsEljT6oHA

Saudades de muitas pessoas que passaram e, ao mesmo tempo, presente com o sentimento de gratidão pela ajuda de tantas pessoas e, neste caso, a querida Daniela Pascoal que fez esse vídeo e sempre foi muito atenciosa com todos nós.

Grande e fraterno abraço para toda a gente!

Notas Diversas

Reformas dos anos 90 e as novas abordagens de intervenção social (Pedro Hespanha)

- Sociedades de risco: maior modernização e maior insegurança.
- As oportunidades da globalização, dependem: recursos disponíveis e recursos repartidos de maneira desigual.
- Crise do sistema de emprego: Globalização, reestruturação industrial, envelhecimento demográfico e maiores encargos para proteção social.
- diminuição do emprego industrial + aumento do emprego flexível = maior desemprego de longa duração e maiores empregos precários.
- Estabilidade econômica por redução de custos salariais: liberalização dos mercados de trabalho, redução dos direitos laborais e desvinculação dos salários a ganhos de produtividade > geram maiores desigualdades sociais.
- É necessária a mudança de políticas indenizatórias para políticas de inserção.
- Políticas sociais de inserção: corte na ideia do Estado Paternalista; responsabilização do ator pelo seu próprio futuro alinhado com a obrigação do Estado fornecer os meios de segurança e bem-estar para toda a sociedade (Cidadão ator é diferente de Cidadão assistido); Políticas de construção.
- Combate a passividade e ao fatalismo.

The role of criticismo in the dynamics of capitalismo (Boltanski e Chiapello)
- Referências sobre o capitalismo:
            1960 até fins 1970: puro marxismo
            1970 a 1985: declínio
            1985 a 1995: ignorado
- Teoria da mudança: refuta o fatalismo material (além do que as pessoas fazem, quais as razões?); não teológico (modelo dialético baseado na conflitualidade – capitalismo x crítica do capitalismo); incompleto (o capitalismo desenvolve-se de acordo com as suas críticas).
- Capitalismo: Menor esforço (por meios pacíficos alcança a maior acumulação); cresce pela circulação e perpetuação; competição (transação entre compradores e vendedores); assalariado (venda de mão-de-obra é diferente do produto).
- Espírito do capitalismo (ideologia que justifica e torna o capitalismo atrativo): 1. Constrangimento ao processo de acumulação; 2. Cria normativas para a ordem social.
- Críticas: Social: um mundo de estímulo ao individualismo em detrimento a solidariedade; movimento dos trabalhadores. Artística (outras formas de capitalismo): liberação e autonomia, singularidade e autenticidade individual.
- Justificação para a reinvenção do capitalismo: Econômicos – não existe progresso sem tecnologia e economia; eficiência e eficácia do mercado; defesa das liberdades individuais -, Modelos que podem ser seguidos – estimulação = liberação; segurança própria e dos filhos; equidade (justiça e bem comum).
- Motivos para alteração do capitalismo em 1930: reação a crise econômica, criticismo social para formulação do Estado Providência;
- Alteração do K em 1970: recuperação da economia (criticismo artístico), individualização e crise da governabilidade.
-“O capitalismo adota os sistemas de valores do inimigo para poder sobreviver.”
- Crise de 1930:
            Corporativismo pós-guerra (organização tradicional) x Tecnocracia (organização científica)
            Doutrina corporativa (interesse coletivo > mercado)
            Oposição ao mercado e ao marxismo por destruírem a solidariedade
            Restaurar a ordem social e a harmonia com as organizações de negócio.

Da Ágora ao Mercado (Zygmund Baumann)

- Ágora: espalho público e de representação; propósito de coordenação entre o público e o privado; justamente a variação que existe entre a coordenação dos interesses públicos e privados que se percebe a democracia. (há várias democracias!)

- Democracia representativa = discussão deslocada para legitimação da opressão.

- Condições para credenciais democráticas: poder discordar, alcançar a audiência pretendida e abandonar o local.

- A exploração do mercado precisa da ação do Estado.

- Estado social = arranjo contra a privatização (exército de reserva). Princípio da comunidade endossada é um seguro coletivo que transmuta a regra do egoísmo (desconfiança e suspeita) para a regra da igualdade (confiança e solidariedade).

- A sociedade é um bem comum que atua na proteção contra o tríplice veneno (silenciamento, exclusão e humilhação).

- O aumento da individualidade e busca do bem-estar individual coloca em descrédito a democracia representativa.

- Maior Medo = Maior Insegurança

- Risco da democracia: Proteger o social dos medos ao invés de proteger a utilidade social dos cidadãos; fadiga da liberdade para os outros.

- Como o local influencia o global, inexiste a democracia local.


Uma Requiem para o comunismo (Zygmund Bauman)

- Comunismo, sólido/moderno: resposta às fragilidades dos laços e aumento do mercado.

- Projeto da modernidade: reação a decadência das estruturas e reformulação dos laços sólidos.

- Duplo pecado do K: Esbanjamento (produção excedente) e Injustiça (maior exploração)

- Direito a propriedade privada da produção coloca a lógica da produção maior que a lógica da satisfação.

- Inexiste a revolução proletária porque a satisfação dos trabalhadores está dentro da lótica do K. O suborno da burguesia trabalhadora a inexistência da consciência impossibilitam a revolução a partir dos trabalhadores.

- Comunismo (Lênin) é o atalho para a revolução: sentença de morte à solidariedade humana; cortar quem não se encaixa; pleno controle do destino; ascensão da modernidade sólida.

- A modernidade líquida matou o comunismo. (desejos infinitos e redes sociais)

- O projeto do comunismo não foi implementado. Há a morte do comunismo?

Resumo 14: A reinvenção solidária e participativa do Estado

Infor

Nota bibliográfica: Santos, B.S. A reinvenção solidária e participativa do Estado. Oficina do CES n. 34. 1999. Centro de Estudos Sociais, Coimbra.

Infos sobre o autor:http://www.boaventuradesousasantos.pt/ 
OBS: Texto organizado em notas

- Paradigmas da transformação social da modernidade: Revolução – Contra o Estado; Reformismo – Pelo Estado.
- O reformismo do Estado foi a reinvenção/proteção dos cidadãos.
- Interesses da sociedade capitalista: Regulação do trabalho, Proteção social contra os riscos sociais, Segurança contra a desordem e a violência.
- “Na medida em que uma dada condição social se repete não melhora e na medida em que melhora não se repete.”
- A mudança social ocorre em três níveis: Articulação entre repetição e melhoria, Medidas reformistas e Indeterminação e Opacidade(plasticidade e abstração) das políticas reformistas.
- Estado nacional na mudança social: Acumulação (estabilidade da produção capitalista), Hegemonia (lealdade para estabilidade do Estado) e Confiança (estabilidade das interações humanas).
- Década de 80:
            Capitalismo global + Consenso de Washington = Desestruturação do espaço de negociação e desmantelamento da capacidade financeira e de regulação do Estado (Estratégias do Estado para acumulação).
- “A estragégia não foi a de enfraquecer o Estado mas uma articulação entre o princípio do Estado e do Mercado para um maior alinhamento do Estado com o capitalismo global.”(lógica mercantil).
-“Com a queda do muro de Berlim, o reformismo (fortalecimento do Estado) deixa de fazer sentido.”
- Reformismo: Estado como instrumento de transformação social.
- O fim do reformismo social (reforma do Estado):
            Estado irreformável (dominado pelo capitalismo): O Estado deve ser confinado (Estado mínimo)
            Estado reformável (tipo diferente de Estado Providência e Estado Desenvolvimentista): Final dos anos 90, percebe-se que o capitalismo global precisa de Estados fortes; Reformismo social (Estado), Reformismo Estatal (setores da sociedade para intervenção do Estado).
- “A sociedade nacional é o espaço miniatura de uma arena social global.
- Estado-empresário: Privatização de funções não exclusivas; Administração pública = empresarial; descentralizar o poder conforme mecanismos de mercado.
- Objetivo inicial do terceiro setor: Combater o isolamento do indivíduo face ao Estado, a organização capitalista e da sociedade.
- “Enquanto o terceiro setor, em países centrais, surge de maneira endógena, em países (semi) periféricos, tender a ser por pressões externas e internacionais.”
- “somente da interação política entre os cidadãos pode surgir uma vontade geral não distorcida.”
- O terceiro setor é uma fonte de corporativismo.
- Debates comuns no terceiro setor: relação público x privado (quais condições contribuem para reformar o Estado?); Organização interna e transparência; Redes nacionais e transnacionais; relações com o Estado.
- Prestações de serviços pelo terceiro setor: Países centrais – serviços que eram produzidos pelo Estado; Países (semi)periféricos – serviços que nunca foram prestados pelo Estado ou eram prestados pela comunidade.
-“A transformação dos membros ou beneficiados das associações em clientes ou consumidores, pode reforçar o perigo do autoritarismo. [...] ora o terceiro setor é força de resistência das relações de poder autoritárias, ora é um instrumento para aumentar essas relações.”

- Estado x Terceiro setor: Enquanto instrumento de Estado; Enquanto amplificador de programas sociais; enquanto parceiro na estrutura de poder e de coordenação.

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