quinta-feira, 17 de maio de 2012

Entrevista com o Dr. Luiz - AMANF

Em continuidade a divulgação da Neurofibromatose no mês de maio, essa semana dispomos a entrevista do Dr. Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues, coordenador clínico do Centro de Referência em Neurofibromatose no Hospital das Clínicas da UFMG, professor titular aposentado e membro titular da acadamia mineira de medicina.
Além de sua dedicação na área da medicia o Dr. Luiz, também dedica o seu tempo a ilustração e foi o responsável pela elaboração da Cartilha As Manchinhas da Mariana. No seu trabalho de ilustração é conhecido como LOR.


AMAVI(A)  -  Dr. Luiz, o Sr. faz parte da Associação Mineira de Neurofibromatose. Por que o Sr. achou importante fundar uma associação?
Dr. Luiz(L):  Faço parte como associado desde 2002, mas não sou um dos fundadores. Devemos esta boa iniciativa à Sra. Mônica Bello, mãe de um portador de NF1, quem, por sua vez, foi motivada pelo pioneiro em neurofibromatoses no Brasil, o Dr. Mauro Geller.

A: Qual a importância do envolvimento dos pais de pacientes em uma associação?
L: A participação dos pais nas associações geralmente demonstra seu envolvimento afetivo com o problema dos filhos. Além disso, geralmente os pacientes já possuem a sua carga de dificuldades, a qual muitas vezes os impede de tomar iniciativas em benefício do coletivo. No entanto, nem sempre a participação é fácil para os pais: alguns sofrem muito e não conseguem dar prosseguimento.

A: E o trabalho voluntário, como pode ajudar um associação de pacientes?
L: Na verdade, todo o trabalho com o qual podemos contar até o momento é aquele realizado de forma voluntária. Talvez sejamos capazes um dia de construir uma associação com a capacidade financeira do Children's Tumor Foundation, a qual possui funcionários contratados.

A: Qual a importância da mobilização social?
L: Creio que podemos vir a assegurar os direitos humanos para as pessoas que possuem necessidades especiais, como os portadores de neurofibromatoses.

A: Como é o atendimento ao paciente de neurofibromatose?
L: O atendimento deve ser multidisciplinar. O diagnóstico médico é feito basicamente por exames clínicos e o acompanhamento pode necessitar de intervenções cirúrgicas para o controle de achados e complicações. Ainda não temos tratamentos específicos para as neurofibromatoses, mas há estudos sobre isto nos campos da medicina, fonoaudiologia, psicologia e nutrição.

A: Quem sofre mais, o paciente ou a família (pais, irmãos ou avós)?
L: Parece-me muito difícil comparar sofrimentos entre pessoas, especialmente quando elas estão em papéis muito distintos. Todas as dores humanas são semelhantes num aspecto: elas são individuais.

A: Sabemos que o paciente de NF possui percepções diferentes quanto a deficiência. Em concurso público, por exemplo, cada órgão federal possui direcionamento distinto. Afinal, o paciente de Neurofibromatose pode ser considerado como portador de necessidades especiais?
L: Vamos imaginar, por exemplo, uma pessoa com NF1 com gravidade mínima: ela apresentará certamente alterações do processamento auditivo (que leva a dificuldades de aprendizado e sociais), manchas café com leite e neurofibromas (que são estigmatizantes, gerando discriminação social) e têm a chance de transmitir a doença para 50% dos filhos (em níveis imprevisíveis de gravidade). Esta pessoa certamente apresenta necessidades especiais para poder enfrentar a vida em condições equivalentes às demais sadias. Se lembrarmos agora dos casos mais graves de NF1, dos casos de NF2 e das dores intensas da Schwannomatose, podemos compreender porque todos os portadores de NF são portadores de necessidades especiais.

A: Conte um pouco sobre a cartilha As Manchinhas da Mariana e quando será sua segunda edição?
L: A cartilha foi concebida para facilitar a comunicação entre os profissionais da saúde e os familiares e pacientes com NF1. Ela foi ilustrada para agradar as crianças e melhorar a representação social da doença para elas. Pensamos que ela pode ser reproduzida quantas vezes forem necessárias até que necessitem de alguma correção ou acréscimo, o que pediria uma segunda edição. Novas publicações ilustradas estão nos nossos planos, respeitando a incidência dos problemas, sendo a primeira delas sobre as dificuldades de aprendizado na NF1, a qual acomete a maioria dos pacientes.

A: Há algum projeto para articular uma política ao paciente de NF em algum de nossos estados?
L: Em Minas Gerais, tramita na Assembleia Legislativa um projeto da autoria do Deputado Antônio Carlos Arantes que propõe a extensão dos benefícios dos portadores de necessidades especiais aos portadores de NF. Creio que é uma iniciativa interessante e que conta com o apoio de nosso Centro de Referência e da AMANF.

A: O que o Sr. pode dizer aos pais e as pessoas que suspeitam da Neurofibromatose?
L: Imaginando que tenha me perguntado sobre a suspeita de diagnóstico de NF, creio que a melhor opção é procurar um dos centros de referência em atividade no Brasil: Rio de Janeiro (grupo sob a liderança do Dr. Mauro Geller e Dra. Karen Cunha), Minas Gerais (CRNF HC UFMG, onde trabalho com Dr. Nilton Alves de Rezende), São José do Rio Preto (grupo sob a liderança da Dra. Eny Bortollo), Campinas (Dr. Guilherme Darrigo Junior que trabalha na USP de Ribeirão Preto).

terça-feira, 15 de maio de 2012

MAIO É O MÊS DA NEUROFIBROMATOSE

Maio é o mês da Neurofibromatose e a Children’s Thumor Foudation, - www.ctf.org, USA, possui várias ideias e mecanismos para divulgar a doença em todo o mundo.
-    Divulgue e incentive as pessoas de sua rede social a utilizar o broche “END NF”;
-     Use azul ou verde no dia 17 de maio, o dia mundial da NF;
-     Utilize a pulseira do End NF durante todo o mês. A pulseira pode ser solicitada pelo email  rperez@ctf.org
-     Divulgue o flyer “Sobre a NF” no seu local de trabalho, escola, universidade e redes sociais;
-     Utilize fitas verdes e azuis nas antenas dos carros, bicicletas, janelas das casas ou quintais;
-     Divirta-se!! Use uma meia azul e outra verde e troque com seus amigos e familiares para que também façam o mesmo;
-      Compartilhe links sobre NF nas redes sociais.
Mais informações em : http://www.ctf.org/Living-with-NF/may-is-nf-awareness-month.html
Em apoio ao mês da NF, confira entrevista do Dr. Leandro Flores, Neurocirurgião do Hospital de Base em Brasília-DF; Especialista em Cirurgia do Sistema Nervoso Periférico pela Universidade Eberhard-Karls-Universitat, Tubingen – Alemanha, em http://www.amavi.org/site/index.php/ultimas-noticias/105-maio-mes-da-neurofibromatose-entrevista-01

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trabalho Associativo

Em 2010, logo quando procurei informações sobre a Neurofibromatose(NF) na internet,  cheguei em algumas pessoas que representavam associações de NF no Brasil como o Centro Nacional de Neurofibromatose -CNNF e a Associação de Neurofibromatose de São Paulo. A Elane Frossard e o Bruno Tamassia foram, sem qualquer dúvida, aqueles que me deram o primeiro apoio e orientações. Naquele momento vi a importância de uma associação e, hoje, quando muitas pessoas entram em contato por meio da amavi sempre lembro da atenção e cuidado de ambos.
Em seguida, com o mesmo tom de atenção e cuidado, conheci o Instituto Canguru, a Aliança Brasileira de Genética, a Associção Brasileira de Homocistinúria, a Associação Paulista de Mucopolissacaridose, gedr e a Associação Brasileira de Porfiria. No decorrer de 2010 conheci outras associações e pessoas tão gentis quanto as primeiras que faziam o ambiente da comunidade de DRs ser amistoso e de respeito. 
Os trabalhos que as associações realizavam foram suficientes para eu entender a importância do trabalho associativo e o próprio sentido da palavra desapego.
Como desapego entendi que, muitas vezes, é necessário colocarmos nossas ideias mas sem perseguí-las a todo o custo, saber que somente serão utilizadas se tiverem sentido para  construir um processo coletivo; que além de nosso trabalho laboral e preocupação com a família, também faz parte de nosso cotidiano o compartilhar com muitas das pessoas que chegam pela associação; apesar de todas as atividades  que fazemos, sempre haverá uma “boa ideia” para ser proposta. Enfim, desapego de saber que apesar de todo nosso esforço pessoal e profissional envolvemos outras pessoas em nossas atividades  que nos fazem entender o real significado de associação, seja de ideias, sentimentos, ações, decepções sonhos e de trabalhos coordenados em conjunto, com o profundo conhecimento que decidimos seguir um caminho que trará mais benefícios para quem está “longe de nossos olhos”.
Acredito que ninguém acorda pensando em iniciar uma associação em Doenças Raras que não seja motivado pela ausência de informações e explosão de necessidades. Ainda mais porque os próprios nomes das doenças e dor que passam a ser de nossa rotina já não facilitam muito esse processo.
Mas, parece-me, que muitas associações surgiram desde o primeiro semestre de 2011. Isso é um ponto muito positivo ao pensarmos que pode significar que as pessoas conhecem  e estão dispostas a criar ações para melhoria da realidade. 
Finalmente, após anos de caminho aberto e traçado por associações que possuem mais de 5 e até 10 anos de existência, hoje a comunidade de DRs está representada dentro do Ministério da Saúde. O MDR carinhosamente adotou a denominação  GT ADORA para identificar este Grupo de Trabalho. Fico na torcida para que o ambiente amistoso permaneça presente e todos/as possam compartilhar de um ambiente realmente ASSOCIATIVO e de respeito para que as construções do GT sejam ricas e produtivas.


Rogério Lima

domingo, 29 de abril de 2012

Grupo Técnico de atenção as pessoas com DRs - GT ADORA



No último dia 26, no Ministério da Saúde em Brasília, houve o encontro para criação do Grupo de Trabalho de atenção às doenças raras. O encontro foi organizado pela Diretora do Departamento de Atenção Especializada,  Dra. Alzira Jorge. Esse encontro é fruto do trabalho de articulação da AMAVI e de execução do gabinete do Dep. Romário para o encontro do dia 29/02 onde o Ministro Alexandre Padilha divulgou para todos e todas presentes a necessidade do evento.

A AMAVI agradece, especialmente, a Dra. Alzira Jorge como representante do Min. da Saúde, pela atenção e sensibilidade que demonstra ao tema desde o primeiro semestre de 2011, quando houve o primeiro contato entre as duas instituições para um encontro da diretora com a Federação de Doenças Raras de Portugal.

“Agradecemos todas as associações presentes e, principalmente, a Dra. Alzira Jorge, diretora do DAE, que atua de maneira competente e séria na criação desse GT e em todos os assuntos que levamos para o Min. da Saúde desde a nossa criação, em 2011.” – Rogério Lima e Sidney Castro (Presidente e Vice Presidente da AMAVI)

De acordo com as interações entre AMAVI e Min. da Saúde, além de outras associações, participaram representantes da Associação Brasileira de Porfiria – ABRAPO, Associação Brasileira de Homocistinúria – ABH, Instituto Canguru, Aliança Brasileira de Genética – ABG, Grupo EncontrAR, Safe Brasil, Movimento de atenção aos pacientes de ELA – MOVELA e Associação Brasileira de Mucopolissacaridose. Também houve a importante participação do gabinete da deputada Mara Gabrilli.

Foram abordados, entre outros, os temas sobre a judicialização da saúde, influência mercadológica para compra de medicamentos,  necessidade de uma rede básica de atenção aos pacientes e inexistência de uma política que atenda a população. Um dos entendimentos do grupo foi a necessidade de criar uma política direcionada, principalmente, a qualidade de vida dos pacientes.

O grupo de trabalho se reunirá às segundas-feiras em prazos de 60 dias. Segue a sua composição:
- Ministério da Saúde:  Alzira de Oliveira Jorge, Marcos José Burle de Aguiar, Jose Eduardo Fogolim Passos e Vera Mendes;
- Médicos Especialistas: Cecilia Michelleti, João Gabriel Daher e Francis Galera( demais titulares e suplentes a serem confirmados);
- Sociedade Civil:  Sidney Castro – AMAVI, Regina Prospero – APMPS, Martha Carvalho – ABG e Adriana Dias - Instituto Baresi
Suplentes: Priscila Torres – Grupo EncontrAR, Wilson Gomiero – Febrapan/Gatem, Marlene Stumm – Instituto Canguru e Désirée - SED Brasil

GT Adora é o nome escolhido pelo MDR “Movimento Doenças Raras” e será por nós usados para lembrar as atividades e proposições do GT.

sábado, 28 de abril de 2012

Dia Mundial de Luta contra ELA em Brasília


PACIENTES DE ELA, FAMILIARES E CUIDADORES QUE MORAM EM BRASÍLIA E ENTORNOS
ESTAMOS CONVIDANDO TODOS VOCÊS PARA ATUAREM COMO
VOLUNTÁRIOS DO MOVELA NA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO
DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA ELA
QUE SERÁ REALIZADO DIA 21/06/2012
CONTATO: SANDRA/JOSÉ: 61 3263 3257/ 8269 1100
   mottahelene@gmail.com
JUNTOS, COM MUITA
ESPERANÇA
LUTA
AÇÃO

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Reunião com o Ministério da Saúde - 26/04

Assim como acordado pelo Ministro Alexandre Padilha, no evento articulado pela AMAVI e realizado no dia 29/02 no Congresso Nacional, no próximo dia 26/04,  teremos a reunião para tratar dos assuntos relacionados a doenças raras no Ministério da Saúde.

Esse momento é aguardado por toda comunidade que lida com essa temática e tem a esperança de ser o passo inicial desse ministério para criação de políticas públicas voltadas para os pacientes de doenças raras.

Com isso , a AMAVI se sente muito orgulhosa de mais essa contribuição para toda comunidade e agradece todos/as aqueles que apoiam as nossas ações. Com toda a certeza somente foram possíveis pelo apoio que recebemos de associações, pacientes e órgãos institucionais.

Esse trabalho está alinhado com nossa visão: Ser reconhecida pelos diversos segmentos da sociedade como importante fomentadora da discussão sobre doenças raras.

Obrigado pelo apoio de cada um e se sinta parte de mais esse trabalho.

Abraços AMAVIanos!

Rogério Lima Barbosa

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Reunião discute organização de evento alusivo ao Dia Mundial de Luta contra ELA

 

Da esq p/ a direita: Ubiratã, Mauro, Jorge, Zita, Carlos e Ubiraci,

Ontem foi um dia muito especial para os militantes do movela, e porque não dizer para todos os pacientes de ELA, seus familiares e cuidadores desse país. Estivemos com o Marcos Sann, Chefe de Gabinete do Dep Romário, e numa reunião agradável e descontraída que se estendeu por cerca de 2 horas, foram lançadas as bases para a organização do evento alusivo ao Dia Mundial de Luta contra ELA, que acontecerá em Brasília no dia 21/06, onde questões de alta relevância estarão sendo debatidas acerca da doença, como novos tratamentos, seu impacto na vida de de familiares e cuidadores, etc..

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