quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quando o diagnósico é o mal!

A minha última participação em evento foi no Seminário de Debates sobre a Saúde, realizado no CES. Foi há seis meses, o que parece uma vida. Hoje eu recebi o link para a minha apresentação.

http://saladeimprensa.ces.uc.pt/index.php?col=canalces&id=15743#.WHZqxFOLTIW

A comunicação “Ninguém nasce doente, torna-se doente” apresenta o andamento do projeto de doutoramento com o mesmo nome. Trata-se de uma pesquisa comparativa entre o Brasil, Portugal e Inglaterra que, a partir dos estudos da deficiência, questiona o campo das pesquisas genéticas por meio das perceções das pessoas que convivem com o diagnóstico de Neurofibromatose.

VI Ciclo Ciências Sociais e Saúde | "Desafios e temas críticos para os sistemas de saúde"
Investigar em Saúde no CES: temas e perspetivas
Núcleo de Estudos sobre Políticas Sociais, Trabalho e Desigualdades
Núcleo de Estudos sobre Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz
Núcleo de Estudos sobre Ciência, Economia e Sociedade

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mais do mesmo

Chuva lá fora, frio dentro de casa e eu a organizar-me para a tese. Na verdade, acho que a tese e o trabalho de doutorado é uma fase de expiação. Durante o tempo que estou envolvido com o meu projeto, desde 2014, penso que nunca tirei férias. Todo o nosso tempo é dedicado para pensar em algo, ver, analisar, tentar, rever, revisar e tentar de novo. Esse processo de vai e vém é para além de uma construção do pensar, do ser acadêmico, do reformular, apenas é.

E o ser que se (re)constrói no processo da pesquisa surge muito diferente do que foi. De minha parte, eu tenho a compreensão que já passei da fase de achar que serei um acadêmico estupendo, como alguns de meus professores em Coimbra. O ser acadêmico é um processo que começa, invariavelmente, ainda nos bancos da graduação. E estou longe de ser algum pesquisador que sempre esteve envolvido com a investigação e o ambiente universitário. Tenho ranços demais, falta de noção demais, português de menos, ignorância demais para me comportar como um professor/investigador. Percebo, de maneira clara, como estou sempre deslocado. Minhas perguntas são na hora errada, o meu jeito é inapropriado e a forma de pensar é diferente. Disso não tenho dúvidas.

Assim como também não tenho dúvidas que a consciência sobre o meu deslocamento está mais para ponto positivo do que negativo. Reconhecendo a minha, no fundo, estupidez sinto-me livre para agir ou falar o que realmente se passa na minha cabeça, naquele momento. Não pensar na "práxis" que envolve o ser acadêmico é deixar livre o ser estudante. Isso não quer dizer que é algo agradável ou super belo. Afinal, qual é o estudante que não quer ser igual ao seu professor predileto?

Estou em um bom momento. Sei o que eu fiz durante o meu trajeto de doutorado. Sei onde posterguei e onde adiantei a minha pesquisa. Onde fiquei mais próximo do acerto e onde falhei por completo. Onde escrevi na hora que tinha que brincar e onde brinquei na hora que tinha que escrever. Toda a construção que vivenciei trouxeram-me para esse momento que não tem mais espaço para outra coisa a não ser colocar em linhas tudo o que vivenciei durante esses anos e, em especial, a partir de 2010. Para variar, ainda aprendo bastante e estou livre o bastante para continuar a ser o estudante que sempre fui.

Inté!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Volta às aulas

Então chegou a hora. Depois de três meses de férias, hoje, as crianças retornam às aulas. Foram três meses bem juntinhos e fazendo muitas coisas. Três meses de alegria e muita ação. Foram tantas as atividades que, inclusive, não consegui chegar perto do meu trabalho, a escrita da tese. Ter as crianças por perto é uma coisa muito boa. Ficar com elas e compartilhar cada momento, não deixava qualquer vontade de escrever. Sem contar que as tentativas que eu fiz foram totalmente infrutíferas. Acho que elas também não aguentavam me ver em casa e não poderem falar comigo. Sempre tinha algo, pai me faz uma massagem; pai, vamos ali comigo; pai, vamos à piscina; pai, vamos ver o filme... são tantos pedidos que sentirem imenso.

Hoje, ao levantar-me para começar a escrever e ver os espaços vazios, foi um tanto triste. Pensei nos momentos que mesmo disponível, não estava disponível para elas, na falta de paciência tão comum nesta fase de querer trabalhar e não conseguir. Comecei a ficar um tanto desanimado até que peguei a caneta e a folha para escrever uma carta de bom ano para começar. Foi terapêutico. Na escrita, foi possível lembrar dos vários momentos juntos e todas as alegrias que tivemos superaram, de longe, qualquer coisa que eu queira trazer para meu martírio ou condescendência.

Foram ótimas férias! Merecedoras do nosso pleno empenho e dedicação para torná-las maravilhosas. Fizemos muitas coisas juntos, viajamos, conhecemos lugares novos, enfim, foram memoráveis.

E agora que o frio já bate a nossa porta, lembramos que é hora de trabalhar. Foi bom as aulas começarem porque não somente valorizamos o ficar juntos como, também, voltamos a por nos trilhos os trabalhos atrasados.

Bom ano para toda a gente!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

É muita mudança

Hoje, eu já estou com a minha blusa vermelha. A cor do sangue, da bravura e da valentia. Independente do que está por vir, para os próximos meses, dedicarei mais do meu tempo para o meu trabalho. Na verdade, não sei muito quando estou descansando e quando trabalho. Apesar de eu estar em atividades de família, com as crianças ou em dias que me dedico para outras pessoas, a minha cabeça sempre está a pensar nos temas que envolvem a tese que eu trabalho e tem que palavras chave normalidade, família, doença, condição genética e manipulação da vida. Por isso, apesar de estar em um momento que, supostamente, era de descanso como não me sento para escrever ou ler algo, a sensação é que estou sempre com algo atrasado ou errado.

Mas isso não é de tudo errado. Meu trabalho está em atraso. Contudo, como eu conheço o meu ritmo e intensidade quando estou em produção, dou-me a liberdade de ter um crédito para poder tentar ficar mais tranquilo e 100% nas atividades que me encontro. Mas, como vc pode ver, nessas breves linhas, já consegue perceber como a atribulação está presente no meu dia a dia. 

Eu devo confessar que pensava em fazer um texto organizando tudo o que está em minha cabeça. E a vantagem da escrita é que ela facilita uma certa clareza sobre o que pensamos. Provavelmente, não é agora que eu quero escrever tudo o que penso. Agora quero somente ter uma certa liberdade de escrever para mim mesmo e saber que essas linhas pouco interessam para outras pessoas. 

A fase final em que me encontro está correndo bastante difícil. Pensar onde estarei daqui a um ano é difícil demais porque ao mesmo tempo que há varias opções, tenho nenhuma. Posso estar em Portugal, Inglaterra ou no Brasil, mas onde é que as crianças estarão felizes?

É uma perguna um tanto difícil porque cada uma tem as suas próprias demandas. Enquanto uma é avoada demais para pensar no dia a dia, outra é concentrada demais para se superar a cada dia, a cada momento e a cada instante. Os extremos em minha casa são constantes.

Aí, chego a pensar se essa minha dúvida realmente tem em conta as crianças. Porque, por mim, sinceramente, acho que eu já fiz tanta coisa diferente e desafiadora que estou vendo o que acontecerá para frente. Na verdade, estou cansado. Queria somente um lugar que eu pudesse ter a confiança que estava bom tudo o que eu fiz. Um lugar que não me sentisse sugado o tempo inteiro, chupado, literalmente, até eu não ter mais forças. Porque, essas, estão perto do fim. Força para quê? Onde ela vai me levar? Blz, vou terminar um percurso acadêmico muito belo e desafiador, mas e depois? Vou para onde e vou fazer o quê? Voltar para o Brasil e ter que lutar, de novo, contra tudo e toda a gente? A não, não quero isso. Não tenho mais energia para fazer aquilo que me trouxe até aqui. Labutar sem descanso, articular, conversar, convencer e ser convencido sobre algo. 

Não dá mais! Ainda mais quando vejo que todo trabalho monumental que foi realizo, interessam somente para alguns, de maneira sincera. Porque o restante somente querem correr atrás do seu próprio lucro que, invariavelmente, é pessoal. Estou cansado! Está duro acreditar em algo. Meu conflito com a religião já passou e me distanciou demais de onde eu estava. Quando eu olho para trás e vejo a mudança que ocorreu, é o mesmo que eu enxergar outro homem. Que, quem sabe, aquele não teria qualquer amizade com esse. A minha firmeza e convicção de ontem transformaram-se em tantas reticências de hoje que, muitas vezes, vejo essas reticências como a vida se esvaindo. 

Eu não tenho qualquer receio da morte. Não tenho e, para mim, é algo que pode acontecer e, quem sabe, ser bem vindo. Já fiz muito e fui onde a minha imaginação nem chegava. Não quero continuar nesse cruzeiro a velocidade da luz! Acho que estou igual ao mergulhador de águas profundas que precisa estar confinado para despressurizar o seu corpo. Preciso de alguma máquina para despressurizar tudo isso que vivenciei. É muita mudança para pouca força.

sábado, 9 de julho de 2016

Coisas de Coimbra

Hoje, eu respondi algumas das perguntas que me chegam. Como foi um apanhado geral sobre Coimbra, acho que pode ser interessante para outras pessoas. A mensagem foi a seguinte:

A ambiente da Un. de Coimbra é muito bom. @s professor@s são abertos para conversas, novas ideias e proposições de eventos, seminários e artigos.

@s colegas discentes ou investigadores também possuem um diferencial interessante. Cada "cabeça" de uma linha de pesquisa é um outro mundo a conversar, conhecer, divergir e aprender. O incentivo ao debate é contínuo. Mas, ao mesmo tempo, dependendo do que deseja, você pode participar menos das atividades ou, até, ficar isolad@, se assim desejar. 

O primeiro semestre, que engloba setembro a dezembro, é mais produtivo. Depois, há uma série de festas da cidade e da Universidade que tornam tudo mais espaçado e menos corrido. Todavia, deve-se perceber que o prof. Boaventura está em Coimbra entre março e junho. Época em que ele profere as aulas magistrais. Depois de maio, que é a época da queima das fitas, até setembro, a cidade pára. Saem os estudantes, chegam os turistas e as atividades na Universidade desaceleram. Veja que sempre há atividade por aqui, o que muda é a intensidade e o volume de pessoas que participam. 

Outro ponto interessante, e se desejar, é realizar os contatos com profs. de outras universidades. O Brasil possui o maior número de investigadores/estudantes, mas há gente de toda a parte, principalmente, do "Sul Global".

O CES é uma arena política. O pensamento crítico é afiado e, seguramente, é o lugar certo para quem busca horizontes para militância e ação direta.

Para ajudar o ambiente universitário, a cidade de Coimbra é super charmosa. É pequena mas o leque de atrações culturais são vários e diversos. Também, possui um custo de vida baixo e é meio caminho para o Porto e para Lisboa. A única chateação é que não possui aeroporto perto.

Bem, acho que é isso, pensando no que eu poderia ajudar. Se houver alguma informação específica que queira saber, por favor, diga-me. 

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É só perguntar! ;))

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Ânimo

Pronto! Já estou em Coimbra. Foram dias muito intensos em Brasília. Além de trabalhar bastante, a agenda social com a família foi grande. A pena foi eu não ter conseguido encontrar todas as pessoas que queria e @s amig@s. Mas terá uma nova oportunidade.

Mais uma vez, continuo aprendendo muito nas conversas que tenho com as pessoas. As conversas são muito boas e nos ajudam a entender o porquê as pessoas agem da forma que vemos. Gostei muito.

Também, eu estive em um momento particularmente interessante. Em uma conversa amistosa sobre como estava a AMAVI e o campo das doenças raras em Brasília, fui indagado, não sei muito bem por qual motivo, qual foi o meu legado. Primeiro, eu nunca tinha pensado nisso porque ainda estou na ativa. Segundo, fui confrontado em um ambiente onde a influência do I Congresso Iberoamericano de Doenças Raras, realizado pela AMAVI e eu coordenador geral, estava por todos os lados e de maneira evidente.

Não sei se a minha resposta foi a melhor mas, por não ter reagido de maneira mais acertiva, fez com que eu saísse daquela conversa pensativo e um tanto frustrado. Acredito que todo fogo amigo nos surpreende. E aquele foi o caso. Nunca imaginei ouvir aquela questão e ainda de uma pessoa que tanto utiliza, de maneira direta e pessoal, os avanços que conseguiu por intermédio da AMAVI. Claro que eu não questiono o valor e qualidade individual da pessoa encontrar uma chance e conseguir crescer com ela. Mas o não reconhecimento de, pelo menos, perceber que o contatos que fazemos nos ajudam a abrir várias portas, é um tanto frustrante.

Mas, por outro lado, o que aconteceu foi uma coisa pequena diante de tanto apoio que sempre consegui por onde passei. E, tenho a certeza, que ao conseguir esses apoios somente fazemos com que uma rede seja aumentada e fortalecida. O fortalecimento dos nossos laços e a busca para sermos somente canais de passagens para outras pessoas além de tornar a vida mais amistosa faz com que a tornermos mais fácil.

Dentro do campo associativo, consegui manter alguns contatos que, depois, viraram amizades. Um desses contatos é a querida Lauda Santos e a Cristina Saliba. Para mim, as duas são fontes de coragem, grandeza pessoal e motivação. Continuo a aprender muito com elas e agradeço a amizade que conseguimos construir. Muito obrigado!

E, por fim, um motivo de orgulho gigante para mim e toda a minha família, foi a Menção Honrosa que recebi do GDF. É, particularmente, muito feliz porque reforça a minha lembrança de minhas origens, o motivo pelo qual comecei essa a minha nova vida e a construção de um legado que, espero, ainda está em construção.

Obrigado!

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